
Mais de 3 mil educadores decidiram hoje,
em Assembleia Geral do CPERS, no Gigantinho, realizar a construção da
greve da categoria seguindo um calendário de fortes mobilizações pelo
Estado. Eles também deliberaram que no final de abril haverá uma nova
Assembleia para discutir a possibilidade de greve dos professores e
funcionários de escola.
De acordo com as avaliações dos 42 Núcleos do CPERS, apresentadas ontem
durante o Conselho Geral da entidade, apenas 8 Núcleos foram favoráveis a
greve neste momento. “Temos que aprender com a nossa história. Sempre
que tivemos conquistas, foi através de fortes greves. A categoria está
indignada com todos os ataques do governo Sartori, mas demonstrou que
ainda não está preparada para a greve. Nosso desafio agora é transformar
essa indignação em mobilização, pressão e luta para construir uma
grande greve com o apoio de toda a comunidade escolar”, observou o
diretor do Departamento de Comunicação do CPERS, Enio Manica.
A presidente do Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, fez uma avaliação do
cenário atual e lembrou dos ataques vivenciados pela categoria em 1987,
quando o governo implantou o QPE. “Nossa realidade está ficando cada vez
mais parecida. Sartori está fechando turmas, desrespeita a Lei do Piso,
não faz concurso público, desrespeita os direitos dos aposentados e
quer nos tirar as horas atividades, entre tantas outras ameaças. Neste
ano, já enviou um Projeto de Lei que abre a possibilidade de
organizações sociais assumirem as escolas públicas. O governo tem poder,
tem a maioria na Assembleia, mas esqueceu que terá de enfrentar uma
categoria forte e unida”, afirmou.
CPERS avisa: Negociação só com a presença do secretário da Fazenda
Após o término da Assembleia, os
educadores realizaram uma caminhada até o Palácio Piratini onde
realizaram uma manifestação junto com representantes do Movimento
Unificado dos Servidores para denunciar o descaso do governo Sartori com
os serviços públicos e os servidores. Uma comissão com representantes
do CPERS, Semapi e do Sindicato dos Técnicos Científicos do Rio Grande
do Sul – Sintergs foi recebida pelo secretário de Educação, Vieira da
Cunha, o secretário-adjunto da Casa Civil, José Guilherme Kliemann, e o
Chefe de Gabinete do Governador, João Carlos Mocellin.
Após receber a Pauta de Reivindicações do Magistério gaúcho, entregue
por Helenir, Vieira afirmou que, em breve, irá marcar uma reunião com a
Direção Central do CPERS para aprofundar as questões relatadas na pauta.
“Nossa condição para negociarmos é a formação imediata de uma mesa de
negociações envolvendo as secretarias da Educação, Fazenda e Casa Civil.
Deixamos claro que não abriremos mão da presença do secretário da
Fazenda, Giovani Feltes, nesta mesa. Queremos discutir sobre os nossos
salários, o pagamento do Piso dentro do Plano de Carreira e exigir o fim
das ameaças aos educadores. Queremos propostas concretas. Agora, está
nas mãos do governo. Ou ele nos joga para a greve ou negocia”, ressaltou
Helenir.
Mobilizações aprovadas na Assembleia Geral
1- Construir a greve, seguindo um calendário forte de mobilização,
com foco no Piso Salarial Nacional, com paralisação nos dias do
calendário de mobilização. Realizar atividades semanais, marcando
atividades com duração de 8 minutos e 13 segundos, correspondentes ao
percentual de aumento concedido pelo governo estadual ao poder
Judiciário.
-Dia 08/04: trancamento de rodovias;
-Dia 13/04: ato em defesa do IPE;
– Ato nas CRES.
2- Organizar Aulas de Cidadania;
3- Exigir a retirada das PECs 242 e 251 e dos PLs 44 e 507;
4- Promover Plenárias Regionais e Municipais para mobilizar a categoria e pressionar o governo;
5- Organizar Fóruns de discussão e defesa da escola pública nas comunidades de cada região;
6- Realizar campanha em defesa da escola pública com os seguintes
eixos: Salário e remuneração, Carreira, Previdência e Saúde do
Trabalhador, Condições de Trabalho e Segurança e Pedagógico;
7- Cobrar do governo a realização de avaliações funcionais e
alterações de níveis do ano de 2015 e a retomada das promoções e suas
respectivas publicações;
8- Realizar campanha “Fora Vieira” diante dos ataques e ameaças da Seduc a categoria;
9- Investir em mídia de rádios regionais para atacar quem ataca os educadores;
10- Pressionar as diretorias municipais dos partidos com
representação na Assembleia Legislativa, cobrando posição positiva em
relação às pautas dos educadores;
11- Realizar períodos reduzidos com foco no Piso e calendário de reposição salarial.